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                                                                                       OPINIÃO /  2 de abril  de 2008
 
Dircêu Mendes Corrêa

JURADO
PENSE MUITO ANTES DE JULGAR UMA VIDA
DEUS ESTA AO SEU LADO

Ser jurado é, sob juramento, participar do Tribunal de Júri e decidir pela culpa ou inocência de um acusado em julgamento.
Estar jurado é sofrer ameaça de agressão ou morte, tanto que é comum a expressão ‘ jurado de morte”. Nunca esses dois sentidos de uma mesma palavra estiveram tão próximos. Em tempos de violência e de banalização da vida, atender a convocação do judiciário e apresentar-se como voluntário que fica à disposição da justiça para servir à sociedade é ato que ganha importância pela alta dosagem de cidadania nele embutida.
Se servir à sociedade como jurado é um dever cívico, ou seja, se participar  do júri é obrigatório, apresentar-se como voluntário é ainda mais meritório.
Satisfeitas as condições básicas para integrar o Tribunal do Júri, qualquer cidadão pode ser convocado e não poderá se furtar ao dever. Parece então, moderno e salutar que a lista seja composta por pessoas que se apresentem espontaneamente.
O que merece reflexão é o que moveria um cidadão para praticamente se candidatar a uma tarefa que, de um lado, vai coloca-lo frente a frente com a sua própria consciência na hora de responder  aos quesitos que determinarão a absolvição ou condenação de um outro cidadão. Tarefa espinhosa, incômoda, desconfortável, mas que precisa ser realizada para que a justiça seja feita.
Se pensarmos que estes tempos de banalização da vida acabam viabilizando serviços que protegem como anonimato pessoas dispostas a denunciar crimes, por exemplo, a função de jurado parece revestir-se de maior responsabilidade. O jurado fica frente a frente com o acusado, mostra a cara, expõe-se e, com essa postura prevista pela lei, demonstra que a justiça com letras maiúsculas nada tem a esconder ou temer.
Ao contrário, é praticada à luz do dia, com julgamento nas circunstancias ideais previstas pela legislação, incluindo aí o direito de defesa e o amplo conhecimento dos fatos que cercam um julgamento. Se é praticada à luz do dia, com exposição significa em ultima instância, uma postura corajosa da sociedade diante do crime, hoje tão desrespeitoso com a autoridade.
Ser jurado é representar a sociedade sem medo do crime e do criminoso na hora da difícil tarefa de julgar.
O JURADO LEIGO que é, não precisa entender de leis, não precisa entender de criminalidade, não precisa conhecer o trâmite processual. Se cumpre um dever cívico, vai dar uma penosa e conseqüente contribuição para que a sociedade não se deteriore. 
Se cumpre este dever  espontaneamente, como voluntário, oferece sua cota de sacrifício que talvez nem seja totalmente compreendido pelas outras pessoas.
O entendimento quanto à importância da tarefa e do ato voluntário precisa alcançar  a consciência da sociedade. Essa turma que se apresenta para cumprir tal  dever merece admiração, respeito e aplauso. Talvez seja  um dos maiores exemplos possíveis contra a omissão, que acaba contribuindo justamente para a banalização da vida, que tanto apavora essa mesma sociedade.
Julgar é sempre muito difícil, mas julgar a atitude de quem apresenta voluntariamente para ser jurado no Tribunal do Júri é muito fácil.